lastroEvidências sobre segurança pública
Todas as evidências
26 de agosto de 20262 min de leitura

Apreensões de fuzil quadruplicaram e se concentram em cinco batalhões

Em 2007, o Estado do Rio apreendeu 214 fuzis. Em 2025, foram 922: quatro vezes e meia mais, com a curva acelerando justamente nos anos recentes (eram 550 em 2019). Enquanto o total de armas apreendidas caiu ao longo da série, o fuzil andou na contramão. É a arma cuja presença mais cresce no crime fluminense, e as apreensões permitem medir isso sem adjetivo.

A segunda característica do fuzil é ser hiperconcentrado. Somando 2023 a 2025, foram 2.264 fuzis apreendidos no Estado inteiro, e 47% saíram de apenas 5 dos 41 batalhões:

Fuzis apreendidos por área de batalhão, 2023 a 2025
BatalhãoFuzis
41º BPM (Irajá, Colégio e Pavuna)297
16º BPM (Olaria)220
18º BPM (Jacarepaguá)203
15º BPM (Duque de Caxias)193
14º BPM (Bangu)155
Os 36 batalhões restantes somam, juntos, os outros 53% (1.196 fuzis).

O mapa fala por si: zona norte da capital e Baixada Fluminense, os corredores onde o domínio territorial de grupos armados é mais denso. Fuzil não é arma de crime difuso; é arma de território.

A terceira característica aparece quando se cruza a arma com a munição apreendida junto ao seu redor no Estado. Desde 2014, quando a série de munição começa, foram cerca de 452 mil cartuchos de calibres de fuzil apreendidos (5,56, as variantes de 7,62 e afins), contra cerca de 6,4 mil fuzis no mesmo período: 71 cartuchos de fuzil pra cada fuzil. A mesma conta pra pistola dá 20 cartuchos por arma. A logística de munição que acompanha o fuzil é de outra categoria, e quase um em cada quatro cartuchos apreendidos no Estado é de calibre de fuzil.

Juntas, as três medidas descrevem o mesmo fenômeno por ângulos diferentes: uma arma cara, concentrada em poucos territórios e sustentada por um fluxo de munição desproporcional. O fuzil não se espalhou pelo Estado; ele se adensou onde já estava.

Nota metodológica

Dados do painel de armas do ISP Conecta (ISP-RJ), analisados pelo Lastro. Armas de fogo desde 2007; munição desde 2014, contando só cartuchos completos, agrupados por calibre em classes de armamento por curadoria própria (o “7,62 sem variante” da fonte, que não distingue plataformas, entra na classe fuzil). A razão cartuchos por arma compara totais estaduais do mesmo período, não apreensões conjuntas no mesmo episódio. A atribuição de área usa o batalhão da delegacia onde a apreensão foi registrada. Os totais do painel divergem levemente do CSV aberto do ISP, inconsistência da fonte que registramos em vez de esconder.

O ISP-RJ não participa da produção desta análise. É usado aqui só como fonte de dados públicos; o cruzamento, os indicadores e as conclusões são inteiramente do Lastro, sem qualquer envolvimento das organizações citadas.

Quem mantém o Lastro não tem vínculo empregatício, ideológico ou político com nenhuma das partes retratadas nos dados, seja poder público, forças de segurança, grupos armados, partidos ou movimentos. O que aparece aqui são padrões que emergem do cruzamento estatístico dos dados, com os mesmos métodos de análise aplicados a qualquer outro assunto, não uma opinião pessoal sobre o tema.

Como citar

Lastro. “Apreensões de fuzil quadruplicaram e se concentram em cinco batalhões”. Publicado em 26 de agosto de 2026. Disponível em: lastro-rj.vercel.app/descobertas/fuzil-concentrado